XIII Encontro de Comunicação Comunitária e Cidadania

O Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local (Comuni), ligado ao Programa de Pós-graduação em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), realizou no dia 16 de maio o 13º Encontro de Comunicação Comunitária e Cidadania. O evento aconteceu no Edifício Capa do Campus Rudge Ramos da UMESP, das 8 às 17 horas.

Os encontros são realizados desde 2005 e têm como um dos objetivos promover a troca de conhecimentos entre a academia e as comunidades, a partir das relações entre comunicação e cidadania, por meio de relatos de pesquisas de mestrado e doutorado e relatos de experiências protagonizados pela sociedade civil.

No período da manhã, após o credenciamento, o evento trouxe relatos de pesquisas e experiências, moderado pela profa. Dra. Luiza Y. Deliberador (Faculdades Maringá, Maringá/Londrina). O primeiro relato de pesquisa foram “As propostas de emancipação cidadã, experiências do agir local e social a partir das memórias autobiográficas de Gandhi, King Jr. e Mandela” por Ingrid Gomes (Pós-Doc-Póscom – Comuni /Metodista).

 Em seguida “A Comunicação Comunitária dos Quilombos Carrapatos da Tabatinga: o diálogo como práxis da comunicação interpessoal e grupal” por Silmara de Mattos Sgoti (Mackenzie / Comuni / Póscom – Metodista). O terceiro relato de experiência foi o Ana Valim sobre as experiências do boletim da Pastoral do Imigrante “Vai Vem – Boletim das Migrações”. A programação da manhã foi finalizada com a apresentação “Olhares sobre a comunicação comunitária no processo organizativo e atuação da comunidade quilombola da Caçandoca, em Ubatuba, SP”, de Adriana Rabelo Rodrigues Marcelo (Comuni / Póscom – Metodista).

Durante o período da tarde a mediação foi feita pelo prof. Dr. Marcos Corrêa, houve sorteio de livros e o primeiro relato de pesquisa apresentado foi do prof. Dr. Orlando Berti (UESPI – UMESP – Comuni) com o tema “Teoria Da comunicação comunitária – provocações sobre questões teóricas contemporâneas”. Berti faz algumas reflexões sobre as Teorias da Comunicação Comunitárias, comentando sobre a nova comunidade tecnológica e o atomismo social. “Estamos cada vez mais atomizados”, ele comenta, estamos fisicamente em um lugar, porém com a mente em outro. Uma das suas grandes reflexões é a falta de afeto e atenção nas relações tanto pessoais como comunitárias.

O segundo relato de experiência foi da Marina Selerges sobre o “Levante Popular da Juventude”, do qual Selerges é representante da Comunicação em nível nacional. Ela define a comunicação do movimento em duas frentes: a agitação, que é passar informações para uma grande quantidade de pessoas, e a propaganda, que pensa e investe mais no conteúdo.  Selerges afirma que o Levante pratica a comunicação popular e que a comunicação deve sempre fazer parte da política do movimento. “A gente disputa com a mídia tradicional”, afirma Selerges explicando o jeito diferenciado de comunicar do evento, pois eles estão presentes nas periferias.

“A Comunicação Comunitária no semiárido Paraibano e a constituições de saberes complexos na Cibercultur@” foi o terceiro relato de pesquisa, da profa. Dra. Sandra Raquel dos Santos Azevedo (Comuni e UFPB – João Pessoa). Ela comenta sobre a indústria da seca e a mobilização social no Nordeste. Azevedo relata que debate o processo de comunicação com o Semiárido, o enfrentamento da seca e a representação social ancorada na carência, a partir do comunitarismo e o compartilhamento de relatos de agricultores. A autonomia das mulheres no campo de trabalho para alcançar a igualdade social também é motivo de debates. “Saímos de uma visão mais instrumental da comunicação”, Azevedo termina.

O último relato de pesquisa foi de Ricardo Costa Alvarenga (Comuni – Póscom – Metodista), com sua pesquisa intitulada “A Comunicação da Igreja Católica no Brasil: as tendências comunicacionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”. Alvarenga conta que a sua pesquisa surgiu a partir de uma interrogativa: Como ocorre o surgimento e o desenvolvimento dos processos de comunicação na Conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)?  Para a realização do trabalho Alvarenga usou pesquisas já realizadas sobre a temática, documentos históricos, além de referências teóricas, para desse modo sistematizar percurso da comunicação da CNBB.

No período da tarde, além das apresentações dos trabalhos houve o momento das “Rapidinhas Comunitárias” com Suelen Aguiar (Comuni – Póscom), que abriu espaço para os participantes compartilhar chamadas de trabalhos em eventos, congressos e outros informativos relacionados à temática da comunicação comunitária e cidadania.

O Comuni tem transmitido nos últimos anos o Encontro Anual em plataformas online e a adesão e participação à distância têm crescido. Neste ano a transmissão foi feita diretamente pelo Facebook, possibilitando aos membros do grupo e outros interessados que não puderam comparecer, acompanhar as apresentações e os debates. A coordenadora do Comuni, Cicilia Peruzzo, afirma que qualidade é melhor que quantidade ao definir o Encontro como um grupo seleto de pessoas que buscam refletir criticamente a comunicação.

No final do evento Peruzzo agradeceu a participação de todos e todas e comentou sobre a transmissão online do XIII Encontro. Ao ampliar os espaços de se fazer ouvir e ouvir o Encontro Anual de Comunicação e Cidadania mostra a importância de eventos como este que reúne academia e comunidades.